É facto que a especulação imobiliária anda a ferver nestes últimos tempos. Um outro facto é que este “grande momento mercantil”, não será eterno e trará várias consequências para um futuro que, suspeito que não será muito longínquo.
Em conversas entre amigos, um deles fez a analogia do que estamos a viver com um balão de festas. Supramos, supramos, supramos até ao seu tamanho e máximo e num descuido de ganância…, BOOM! O balão rebenta-nos nas mãos.
A cada semana, somos confrontados com as notícias mais variadas sobre o tema: “preço por metro quadrado a níveis recorde”, “grande procura e pouca oferta de habitações”, “a população preocupada com os problemas no setor da habitação”, “grandes investimentos no setor da construção”, “grande número de habitações residenciais convertidas em alojamentos turísticos” e entre muitas outras manchetes que até perdemos a conta.
Uma das notícias que me mais me marcou, foi a que vi há tempos no jornal Expresso, que dizia: “10% das casas em Lisboa e no Porto, estão vazias”. Ao primeiro raciocínio, encontramos uma solução rápida e prática, contudo, este problema é um iceberg com uma massa de gelo invisível de dimensões astronómicas. Casas abandonadas, muitas vezes por dificuldades de investimento, ou problemas de herdeiros. Caso um destes dois tópicos seja resolvido, ou são convertidas em casas de luxo com valores altíssimos vendidas, na sua maioria, a investidores estrangeiros ou transformadas em alojamentos turísticos – “para compensar o valor da reconstrução/restauro”.
Agora, a pergunta essencial concentra-se em: E a população residente, vai para onde?
Uma das soluções é mudança para as periferias, onde os preços são mais em conta – uma diferença não muito significativa –, mas que obrigam a grandes deslocações, muitas vezes em relação ao trabalho e essas zonas sofrem da falta de investimento em ofertas mercantis, de lazer, etc. Para além da necessidade de construção de cada vez mais habitações para acomodar a procura – onde houver um buraco, constrói-se um prédio.
A verdade, é que a até as zonas rurais estão na mira dos investidores turísticos com as novas ofertas de alojamentos, para “experiências turísticas foram dos centros urbanos”.
Sou da ilha da Madeira e esta problemática é flagrante! Numa pesquisa curiosa aos preços dos terrenos e habitações nos principais sites imobiliários da região, quase desloquei o queixo ao comparar o que estava a ser oferecido com o valor pedido. Não me refiro a 1, 2, ou 3 casos, a verdade, é que não tenho dedos que contabilizem o número de casos. Outro ponto é a intensificação da destruição em zonas verdes ou de plantação para a construção de torres de betão e ferro, que acabam com a essência natural e histórica da zona onde são erguidos. Quanto a nível turístico, a dependência deste setor na região é gigantesca.
Com todos estes argumentos, as minhas questões reduzem-se a:
Como é possível, um jovem a título individual, ou em casal, adquirir a sua própria habitação? As únicas opções são o aluguer, ou o endividamento de uma vida aos bancos com o pagamento dos juros?
A questão do Turismo, apesar de ser um grande impulsionador da economia, se Portugal deixar de estar no favoritismo como destino de férias, ou voltarem a acontecer as problemáticas de uma nova pandemia, o que será de nós? Como nos iremos sustentar, se grande parte do nosso sustento depende deste setor?
Como já esperado, questões sem resposta à vista, que, como diz o povo e com razão, são temas que a discussão “dará pano para mangas”.
Acredito fielmente na importância da consciência de tais problemas, para estarmos prepararmos para possíveis futuros atribulados. Novamente, como diz o povo e com razão: “mais vale prevenir, que remediar”.