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#NãoSouSóEuQuePensoNisto

A partilha de ideias e reflexões de um jovem a quem o MUNDO lhe intriga.


João José Silva

08.11.25

No nosso quotidiano, RAPIDEZ e EFICÁCIA são as palavras que regem as nossas ações e pensamentos. Menos preocupações e mais resultados – uma filosofia que nos acompanha, principalmente, quando o assunto é a componente linguística. A articulação e os ornamentos linguístico, na casualidade, são substituídos por “sopros” e abreviações.

“Não há tempo a perder! Respostas diretas e breves.”. Assim é o pensamento de um avolumado número de pessoas em dias mais atarefados – por outras palavras, “dia sim, dia sim senhor”.

Como já foi referido, as abreviações são o mais comum, como por exemplo, em vez de “está lá”, optar por “tá lá”, ou então de “mesmo” para “memo” – muitos mais exemplos existem.

Uma opção que, pessoalmente, me dá a volta aos cabelos é a substituição de alguma definição por “coisa”, ou “coiso”. Passo a exemplificar: em vez de “vou levar o cão a passear”, a frase passa a “vou levar o “coiso” a passear”, ou ainda de “passas-me a escova de dentes?”, para “passas-me a “coisa”?”.

Senhoras e senhores, dizei-me se, num caso semelhante a um destes exemplos, a vossa reação não seria: “Mas que raio é esse “coiso” ou “coisa” que me estás a dizer?”.

Muitas vezes estas substituições aparecem sem contexto prévio levando ao indivíduo que recebe a informação a uma grande dúvida sobre o que realmente está a ser contado. Por outras palavras, uma grande causa das falhas de comunicação. O pior é que esta tendência tem demonstrado um crescimento ao longo dos tempos, em todas as faixas etárias.

Não se surpreendam se, daqui a uns anos, da forma como estamos a evoluir o método como nos comunicamos, não será incomum encontramos dois ou mais indivíduos a grunhirem uns para os outros e compreenderem o que significa cada som.


João José Silva

08.04.25

Não sei se têm reparado, ou é só obsessão minha, mas o número de pessoas que mexem no telemóvel durante as refeições tem aumentado bastante. Este sintoma concentra-se nas camadas mais jovens, mas já são visíveis alguns “cotas” com esse vício.

Por iniciativa própria, optei por não seguir tal moda. Para tal, tento não trazer o telemóvel comigo quando estou a comer. Tenho a crença de que a hora da alimentação é um momento de respeito, além disso, convenhamos, a pouca praticidade de manuseio dos talheres enquanto temos uma mão ocupada, também é um fator decisivo.

Hamlet, tinha como questão fundamental: ser ou não ser? A sociedade de 2025 tem como dúvida existencial: garfada de arroz, ou responder às 15 mensagens pendentes?

Deixando-me de hipocrisias, confesso que gosto de almoçar, ou jantar com a televisão ligada – quando estamos sozinhos, há que reconhecer que é uma boa companhia. De qualquer forma, apesar do vício do ecrã estar presente, considero-o menos prejudicial. Como? Passo a explicar: no telemóvel, o conteúdo emitido é quase exclusivamente dirigido para o utilizador, ou seja, é uma comunicação muito individualista. No caso da televisão, a mensagem é emitida de forma mais ampla, possibilitando que, estando acompanhados por alguém, a mensagem é possível de ser recebida por mais recetores, o que pode levar à discussão entre indivíduos de um tema captado.

Num mundo em que o desapego com a tecnologia é cada vez menor, questiono o porquê de necessitarmos constantemente de um maior contacto com tal “chucha” e, se em tempos, existiu o mesmo mal, só que em vez de telemóveis, ter sido com livros.

- “Ó Pedro Augusto, acaba de comer primeiro e depois lês o teu romance! Tens tempo, a história não foge!”


João José Silva

15.03.25

Lembram-se de em 2008, no filme de animação da Disney, “WALL-E”, ser apresentada a problemática do sedentarismo extremo e a completa dependência humana em relação às tecnologias? Pois, estamos no ano de 2025 e essa realidade está a ganhar cada vez mais robustez.

Os avanços tecnológicos, em certas vertentes, têm-se mostrado impressionantes, eficazes e rápidos. Comparar os modos de vida atuais aos dos anos 2000 a 2010, é, claramente, percetível um salto e tanto. A utilização das máquinas e da inteligência artificial em prol de melhores condições de vida para os utilizadores – e monetária para os fabricantes.

Com exemplos bastante práticos, como as aplicações de solicitação de transporte ou comida, popularizaram-se em pouco tempo. A praticidade de receber o jantar em casa, ou solicitar um veículo que nos leva onde quisermos, a preços competitivos, transformou estas aplicações em bens essenciais na vida das pessoas. As gerações mais novas – entre os 20 e os 30 anos – são as maiores utilizadoras e, consequentemente, das principais afetadas com o desequilíbrio de utilização das mesmas.

O que tenho assistido é uma maior “preguiça” e falta de espírito de iniciativa e descoberta por parte de malta com a minha idade. Exemplifico-os com a seguinte história: onde moro, tenho acesso a centros de comércio entre 10 e 15 minutos a pé. Percurso simples, que não exigem capacidades físicas exorbitantes. Quando não está tempo chuvoso, costumo fazer esse percurso a pé (faço exercício e poupo na utilização de transportes). Quando pergunto a alguém se me quer acompanhar e indico a distância a realizar, a primeira pergunta que recebo é: “apanhamos um Bolt?”. Confesso que fixo perplexo com tal resposta, afinal, o percurso não é longo e está bom tempo. Qual é a justificação plausível? Depois de alguma insistência, acabam por me acompanhar, mas, a metade do caminho, já começam a ofegar e precisam de parar devido ao cansaço – acreditem que não estou a exagerar nesta exemplificação. Hoje vemos pessoas mais velhas com capacidade de resistência física superior à de uma nova – pela lógica, deveria ser ao contrário.

Por momentos questiono-me se, nas idades entre os 20 e 30 anos estão com estas dificuldades de resistência, como estarão ao chegarem em idades entre os 50 e 60 anos? – não se mexem sem para de 2 em 2 minutos?

Assistimos a um grave problema de saúde pública que se está a instalar silenciosamente e não será por agora que veremos os seus efeitos. Calmamente, os sentidos de iniciativa e de resolução de problemas entram num estado de hibernação. Acredito que se tal problemática não for pensada, discuta e combatida, avizinham-se tempos muito complicados – ainda mais do que aqueles que estamos a viver.


João José Silva

18.02.25

A questão do TEMPO é algo me fascina. TODOS estamos a ficar mais velhos, é um facto. Por mais produtos de beleza que pastemos nos nossos corpos e mais cirurgias que façamos, a nossa AMPULHETA DA VIDA, continua, incessantemente, a derramar os seus grãos de areia, ou seja, em algum momento esse processo terá um fim – a incerteza dessa precisão é uma virtude.

Apesar de termos consciência de que “o tempo passa”, estranhamos quando nos acontece algo que julgávamos só suceder daqui a uns anos. Exemplifico com os tópicos que me tem surpreendido nos últimos tempos: casamento e gravidez.

Ainda estou na primeira metade da década dos 20 e pasma-me receber notícias constantes de gente, da minha idade, um pouco superior, ou inferior, a anunciar os seus casamentos ou a se prepararem para receber o primeiro filho.

Como diz o povo e com razão, “cada um sabe si”, nem é por que quero discutir, mas sim o facto da estranheza de perceber que, mais ou menos, à 5 ou 6 anos atrás estávamos no mesmo ano escolar, ou mais ou menos parecido, a começar o chamávamos, “a vida de jovem” – namoros, festas, descobertas, loucuras, etc.

Confesso que estes 5, 6 anos, passaram num estalar de dedos. Realmente, o TEMPO não para e pelo que me foi apercebendo em conversas com pessoas mais velhas, esta sensação de estranheza tornar-se-á cada vez maior.

Noto que não deixa de ser engraçado que, ao mesmo tempo que estranhamos o avançar do TEMPO, em certas alturas, desejamos que o mesmo avance – o que acontece com maior regularidade do que realmente imaginamos. Afinal, o que é que queremos?

Apesar de desejarmos que o TEMPO, abrande, ou se estagne, com a mesma intensidade almejamos alcançar o dia seguinte. Pessoalmente, julgo que é uma dualidade estranha e deslumbrante.


João José Silva

06.02.25

É facto que a especulação imobiliária anda a ferver nestes últimos tempos. Um outro facto é que este “grande momento mercantil”, não será eterno e trará várias consequências para um futuro que, suspeito que não será muito longínquo.

Em conversas entre amigos, um deles fez a analogia do que estamos a viver com um balão de festas. Supramos, supramos, supramos até ao seu tamanho e máximo e num descuido de ganância…, BOOM! O balão rebenta-nos nas mãos.

A cada semana, somos confrontados com as notícias mais variadas sobre o tema: “preço por metro quadrado a níveis recorde”, “grande procura e pouca oferta de habitações”, “a população preocupada com os problemas no setor da habitação”, “grandes investimentos no setor da construção”, “grande número de habitações residenciais convertidas em alojamentos turísticos” e entre muitas outras manchetes que até perdemos a conta.

Uma das notícias que me mais me marcou, foi a que vi há tempos no jornal Expresso, que dizia: “10% das casas em Lisboa e no Porto, estão vazias”. Ao primeiro raciocínio, encontramos uma solução rápida e prática, contudo, este problema é um iceberg com uma massa de gelo invisível de dimensões astronómicas. Casas abandonadas, muitas vezes por dificuldades de investimento, ou problemas de herdeiros. Caso um destes dois tópicos seja resolvido, ou são convertidas em casas de luxo com valores altíssimos vendidas, na sua maioria, a investidores estrangeiros ou transformadas em alojamentos turísticos – “para compensar o valor da reconstrução/restauro”.

Agora, a pergunta essencial concentra-se em: E a população residente, vai para onde?

Uma das soluções é mudança para as periferias, onde os preços são mais em conta – uma diferença não muito significativa –, mas que obrigam a grandes deslocações, muitas vezes em relação ao trabalho e essas zonas sofrem da falta de investimento em ofertas mercantis, de lazer, etc. Para além da necessidade de construção de cada vez mais habitações para acomodar a procura – onde houver um buraco, constrói-se um prédio.

A verdade, é que a até as zonas rurais estão na mira dos investidores turísticos com as novas ofertas de alojamentos, para “experiências turísticas foram dos centros urbanos”.

Sou da ilha da Madeira e esta problemática é flagrante! Numa pesquisa curiosa aos preços dos terrenos e habitações nos principais sites imobiliários da região, quase desloquei o queixo ao comparar o que estava a ser oferecido com o valor pedido. Não me refiro a 1, 2, ou 3 casos, a verdade, é que não tenho dedos que contabilizem o número de casos. Outro ponto é a intensificação da destruição em zonas verdes ou de plantação para a construção de torres de betão e ferro, que acabam com a essência natural e histórica da zona onde são erguidos. Quanto a nível turístico, a dependência deste setor na região é gigantesca.

Com todos estes argumentos, as minhas questões reduzem-se a:

Como é possível, um jovem a título individual, ou em casal, adquirir a sua própria habitação? As únicas opções são o aluguer, ou o endividamento de uma vida aos bancos com o pagamento dos juros?

A questão do Turismo, apesar de ser um grande impulsionador da economia, se Portugal deixar de estar no favoritismo como destino de férias, ou voltarem a acontecer as problemáticas de uma nova pandemia, o que será de nós? Como nos iremos sustentar, se grande parte do nosso sustento depende deste setor?

Como já esperado, questões sem resposta à vista, que, como diz o povo e com razão, são temas que a discussão “dará pano para mangas”.

Acredito fielmente na importância da consciência de tais problemas, para estarmos prepararmos para possíveis futuros atribulados. Novamente, como diz o povo e com razão: “mais vale prevenir, que remediar”.


João José Silva

17.01.25

Se acompanhamos diariamente, com afinco, o contexto político e social em que nos rodeia, é aconselhável que, de vez em quando, tenhamos oportunidade de sair dessa “bolha mediática”, para bem da nossa sanidade mental. Uns encontram esse “escape” em filmes ou livros, outros em caminhadas pela natureza, ou então no preparo de refeições apetrechas – a lista continua a crescer. Pessoalmente, entro num estado de relaxamento tal, que me leva a reflexões que, à primeira vista, podem parecer MOMENTOS DE DELÍRIO. A título de experiência, confirmo que, apesar de estranhas, essas viagens são bastante enriquecedoras e aliviantes.

IMAGINEM COMIGO: Nós, humanos, comunicamo-nos a partir de uma sequência de signos e códigos que desenvolvemos ao longo da nossa EVOLUÇÃO. Certos povos têm os seus signos próprios, mas muitos desses são partilhados, como por exemplo, as letras, os números, as cores e por aí segue-se a lista. Por outras palavras, existe uma base comunicacional que nos permite interagir uns com os outros.

Numa perspetiva diferente – quando me refiro a “diferente”, não é “outro povo”, mas sim “outra espécie”. Como assim? Os cães, por exemplo – os códigos que assumimos como certos em qualquer parte do mundo em que nos encontremos, caiem por terra, porque os mesmos não são reconhecidos.

Aprofundo a minha teoria com o seguinte exemplo: os cães, não sabem que a cor azul, se chama “azul”, ou então que a comida, designamos pela palavra “comida”, ou ainda então, que um sorriso é um código de felicidade – isso, ou “pseudo felicidade”, se entrarmos nos requisitos do sarcasmo, mas é melhor deixaremos este ponto de parte para não confundirmos mais as cabeças.

Por outras palavras, os nossos signos, noutro contexto, são inexistentes. Estes seres, para se comunicarem, criaram os seus próprios códigos. Na minha cabeça, só imagino como seria sermos confrontados com essa realidade neste exato momento – quando recém-nascidos, TODOS passámos por essa fase, o que acontece é que não nos lembramos dessa época. UMA REALIDADE EM QUE TEMOS DE REAPRENDER TUDO.

Deixo-vos algumas questões que até hoje me ressoam:

  • O quão estranho seria esse confronto? Como seria a adaptação?
  • Criaríamos códigos diferentes dos que temos agora?
  • Seríamos mais eficazes nessa criação, visto que, segundo a ciência, geneticamente somos mais evoluídos que os nossos antepassados neandertais?
  • Ou então demoraríamos mais, visto que desaprendemos grande parte dos instintos selvagens dos mesmos?


João José Silva

14.01.25

Se o título deste texto também ressoou nas vossas cabeças, então posso confirmar que não sou o único LOUCO que acha este pensamento intrigante.

Realmente, é uma frase bastante profunda e, por mais estranho que pareça, acontece com maior frequência e proximidade do que imaginamos.

Como é que pensei nisto? Um dia destes, estava eu a preparar-me para dormir, quando naquele momento que antecede o sono profundo – pensamos em tudo e mais alguma coisa, mas adormecer, que é bom, não –, fui surpreendido por este pensamento. Em que contexto? Em relação ao ensino universitário – CALMA, que eu passo a explicar!

Não são todos os casos, mas algumas pessoas, antes de ingressarem ou durante o ensino universitário, estão ativos no regime laboral – uma atitude que aconselho vivamente a praticarem. Nesse período, estão em contacto direto com os desafios do mundo laboral e, por sua vez, recebe monetariamente pelo seu trabalho realizado. Por vezes, o trabalho até pode não ser do agrado do trabalhador, mas a recompensa monetária no final do mês, é um incentivo à continuação da prática.

Ao trocarmos a mesma situação para o contexto universitário, a nota final de cada unidade curricular, não tem o mesmo valor de incentivo do que teria o valor monetário. Além do mais, para frequentar um curso universitário, é necessário pagar uma certa contribuição – ou seja, PAGAR PARA TRABALHAR. Em alguns dos casos, os trabalhadores-estudantes, se já trabalharem nas áreas em que estão a estudar, questionam pela continuidade dos estudos, visto que o acréscimo do “canudo”, não é algo que lhes vá compensar.

Tenho noção que ambos os regimes têm objetivos finais diferentes e que esta comparação, a certos olhos, pode parecer um MOMENTO DE DELÍRIO. No entanto, um tema relacionado a ambos os tópicos, abala o meu consciente com uma certa frequência, que é:

  • Mesmo em contexto de estágio, trabalhando numa empresa, ou mesmo em contexto laboral na universidade, não tenho direito de receber monetariamente pelo meu trabalho? – quanto aos valores, sou apologista de um debate. Como estaríamos em fase de integração, aprendizagem e acompanhamento, estes deveriam ser proporcionais a tal;
  • O trabalho remunerado não responsabilizaria o indivíduo ao cumprimento e ao rigor na realização das suas tarefas?

TODO o trabalho realizado para fins lucrativos deve ser recompensado monetariamente. Fico surpreso que as universidades, locais de ensino das boas práticas laborais e dos direitos dos trabalhadores, sejam as primeiras a encaminhar-nos para um tipo de trabalho exploratório por conta de outrem. Mas também, num mundo em que somos apenas NÚMEROS e o CAPITAL é a doutrina, onde é que há lugar para a EMPATIA?


João José Silva

11.01.25

A evolução tecnológica chegou a um ponto, que nos permite uma capacidade astronómica de conhecimento, acessível por um equipamento que nos cabe nas mãos. Se conseguíssemos viajar no tempo e apresentar esta informação aos nossos antepassados – e não puxo a bobina para muito longe, uns 100 anos já é suficiente – diriam que somos LOUCOS.

É verdade que com este PODER todo, certas responsabilidades devem ser praticadas para um uso correto e harmonioso, contudo, existem certas conquistas que me deixam em dúvida sobre essa “utilização sana” do PODER. Entre elas, uma que tenho presenciado com maior regularidade, é a geolocalização.

Quando comento sobre esta funcionalidade, sei perfeitamente da importância que têm para a nossa sociedade, principalmente para a salvaguarda de vidas – tanto em risco de morte, como de ataques de coração, quando nos perdemos, ou algum objeto importante desaparece.

Nas camadas mais jovens a moda está na utilização de pequenos rastreadores portáteis – os mais famosos são os Apple Air Tag e os Samsung SmartTag, mas existem outros de outras fabricantes. Estes pequenos equipamentos servem, como o próprio nome indica, para rastrear algo que não desejamos perder, como o carro, a mala de viagem, o chaveiro, o animal de estimação – a lista é grande. No entanto, o que tenho presenciado com certa regularidade e, diria até, com escárnio, é a localização dos namorados/as – destaco as mulheres como maiores utilizadoras desta técnica.

Chega a ser cómico e ao mesmo tempo desconcertante, ver a rapariga, ou o rapaz, a procurar o seu namorado/a pelo localizador do telemóvel numa saída à noite, ou então calcular os minutos que demora a fazer de carro o trajeto do trabalho até casa. Estas situações fazem-me questionar:

  • Será que este controlo não excede os parâmetros de uma relação saudável? – não me refiro unicamente à amorosa.
  • Estes métodos são sempre utilizados com a consciência do outro?
  • Até que ponto é que deixamos de respeitar a liberdade individual do outro?

Não contesto a boa função destes equipamentos e o lado “nobre” das suas funcionalidades. Sou a favor de uma utilização com responsabilidade e consciência cívica, algo que acredito que devemos apregoar mais na sociedade em que vivemos.


João José Silva

04.01.25

Viajar em tempos de épocas festivas é sempre um caos. Sou um dos muitos que, para celebrar com os seus, necessita de apanhar um voo. Todas as vezes sinto essa tensão na pele! Com o passar do tempo e o repetir das situações, algumas ações foram se normalizando (horários, deslocações, condutas, etc.), no entanto, existem certas situações que tiram qualquer um do sério.

As viagens são todas programadas ao segundo. Se é necessário apanhar mais do que um meio de transporte para chegar ao destino, existe uma organização atempada de todos os transportes - este tópico é bastante importante. A expectativa é que tudo corra como planeado, caso contrário, a situação complicar-se-á, mas claro, o mundo não é perfeito e os horários das companhias de transportes são o oposto de “perfeição”. ATRASAM SEMPRE! Como, pelas razões mais diversas, não cumprem os horários estipulados, o agendamento espaçado entre cada transporte ou compromisso é fundamental - principalmente para a nossa saúde mental e para não ficarmos, como diz o povo, “com o rabo em terra”.

Com maior destaque para as viagens de avião e os loucos processos no aeroporto, exponho alguns “tesouros” que pude observar nas minhas deslocações.

Começo com as quantidades abismais de bagagens que vejo certos passageiros a transportar. Genuinamente, questiono o que tanto levam naquelas malas. Quando as observamos, vemos que estão bastante cheias, como os feixes num suplício para não rebentarem. Isso também tem a ver com a mentalidade generalizada de levar sempre uma muda de roupa extra caso aconteça algum imprevisto - a verdade é que essa muda, no final de contas, acaba por não ser usada e esquecida no fundo da mala. É interessante comparar com aqueles que viajam em companhias low-cost - a ambulância de bagagem tem um corte substancial. Nesses casos, o que observamos é a transformação de passageiros em personagens semelhantes ao boneco da empresa de pneus, Michelin - ao menos, não passam frio.

Para maior conforto de todos, antes de embarcarmos para os aviões, passamos por um sistema de triagem de segurança. Um sistema prático e eficaz - pelo menos, essa é a intenção…. Acho incrível como certas pessoas têm a capacidade de dificultar aquilo que é simples. Na zona dos detetores, encontramos dois tipos de passageiros: os recorrentes e os novatos. Compreendo perfeitamente que como os novatos não estão habituados ao sistema, demorem um pouco mais a realizar o percurso - é algo normal. O que irrita é a moleza desmedida e falta de praticidade de muitos que por ali passam. Primeiro, separam objeto por objeto, como se estivessem a segurar peças de arte de valor incalculável e como se não bastasse, a recolha dos mesmos, fazem-na com a mesma lentidão. O problema deste ato é que como esse processo conta com muitas pessoas em fila para recolherem os seus pertences, enquanto uns têm estas atitudes egoístas, atrapalham a fluidez do processo, o que gera atrasos e irritações dos restantes passageiros - incluindo a minha. Ó, QUE RAIVA!

Antes de embarcar, até gosto de passar pelas lojas na zona de espera dos passageiros, mas vejo com uma certa rapidez, porque se ficar a olhar durante muito tempo, os olhos começam a arder com os preços muito elevados.

Para acabar em grande, mesmo antes de entrar no avião, acontecem pequenas cenas hilariantes com pessoas que ficam encrencadas como o tamanho excessivo das malas de cabine. Uns acabam por as enviar para o porão, outros pagam uma “taxinha extra”, mas TODOS terminam a expressar a sua revolta em voz alta para que os restantes passageiros escutem - umas vezes dá para rir, outras só apetece colocar os fones de ouvido no volume máximo.

Para quem quiser, ou tiver de viajar em épocas festivas, peço, por favor, que investiguem como as coisas funcionam e não sejam esses passageiros que atrapalham a viagem dos outros - já existem suficientes, não precisamos de mais.


João José Silva

21.10.23

Imaginei que, num dia aleatório, eram confrontados com a seguinte mensagem nos meios de comunicação:

“72 horas! Repito, 72 horas! O GRANDE APOCALIPSE APROXIMA-SE! Faltam apenas 72 horas para a extinção em massa, a pulverização global! Senhoras e senhores, o FIM DO MUNDO, CHEGOU!”

É verdade que nesta mensagem está presente uma densa vertente dramática, contudo, sejamos honestos, pelo menos, uma vez na vida, por meros segundos, TODOS já imaginámos uma situação destas, ou semelhante, não?

A capacidade de hipotetizar a aniquilação de tudo aquilo que nós conhecemos – e o que não conhecemos também. Como se, num estalar de dedos, TUDO, simplesmente, desaparecesse. Aquilo que existe, ou já existiu passasse a vaguear pela imensidão do VAZIO – inclusive a nossa existência.

Caso uma situação desta se materializasse e tivéssemos apenas 72 horas restantes, o que faríamos? Quais seriam os nossos últimos desejos antes do ponteiro do relógio bater o último segundo?

A maioria da população, nesse período, instintivamente, cometeria os seus desejos mais profundos e obscenos – as leis, pouco o nada valeriam. Já outras pessoas, perderiam essas horas em procrastinações profundas. Como diz o povo e com razão: “há gente para tudo”.

Acho interessantíssimo que alguns cidadãos, atualmente, tenham listas em que enumeram os seus principais desejos, caso um dia algo venha a acontecer – quem diz o FIM DO MUNDO, também diz o aparecimento de uma doença grave e sem cura, por exemplo.

Se formos a pensar sobre este assunto, chegamos ao ponto de que só começamos a pensar em aproveitar a nossa vida, quando esta tem um limite de finitude marcado, ou próximo. Então, só quando estamos próximos de perder algo é que, realmente, começamos a pensar nela, ou em aproveitá-la? Quem diz a VIDA, também diz outros assuntos, não?

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