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#NãoSouSóEuQuePensoNisto

A partilha de ideias e reflexões de um jovem a quem o MUNDO lhe intriga.


João José Silva

08.11.25

No nosso quotidiano, RAPIDEZ e EFICÁCIA são as palavras que regem as nossas ações e pensamentos. Menos preocupações e mais resultados – uma filosofia que nos acompanha, principalmente, quando o assunto é a componente linguística. A articulação e os ornamentos linguístico, na casualidade, são substituídos por “sopros” e abreviações.

“Não há tempo a perder! Respostas diretas e breves.”. Assim é o pensamento de um avolumado número de pessoas em dias mais atarefados – por outras palavras, “dia sim, dia sim senhor”.

Como já foi referido, as abreviações são o mais comum, como por exemplo, em vez de “está lá”, optar por “tá lá”, ou então de “mesmo” para “memo” – muitos mais exemplos existem.

Uma opção que, pessoalmente, me dá a volta aos cabelos é a substituição de alguma definição por “coisa”, ou “coiso”. Passo a exemplificar: em vez de “vou levar o cão a passear”, a frase passa a “vou levar o “coiso” a passear”, ou ainda de “passas-me a escova de dentes?”, para “passas-me a “coisa”?”.

Senhoras e senhores, dizei-me se, num caso semelhante a um destes exemplos, a vossa reação não seria: “Mas que raio é esse “coiso” ou “coisa” que me estás a dizer?”.

Muitas vezes estas substituições aparecem sem contexto prévio levando ao indivíduo que recebe a informação a uma grande dúvida sobre o que realmente está a ser contado. Por outras palavras, uma grande causa das falhas de comunicação. O pior é que esta tendência tem demonstrado um crescimento ao longo dos tempos, em todas as faixas etárias.

Não se surpreendam se, daqui a uns anos, da forma como estamos a evoluir o método como nos comunicamos, não será incomum encontramos dois ou mais indivíduos a grunhirem uns para os outros e compreenderem o que significa cada som.


João José Silva

10.10.25

Firmemente, seguimos para eleições autárquicas no próximo domingo. Uma “lufada de ar fresco”, após as jornadas anuais de eleições legislativas.

Gritaria pelas ruas, hinos de qualidade duvidosa, almoçaradas e jantaradas, bandeirinhas pelo ar, carros com altifalantes no tejadilho que enervam até aos mosquitos, caixas do correio abarrotadas de papelada… enfim, mais do mesmo.

Algo positivo é a renovação do stock de t-shirts e de canetas – assim ninguém pode dizer que não tem roupa, nem caneta para ir votar!

Como forma de abstrair a mente e a alma deste período de campanha, termino este pequeno texto, com versos de um clássico da música popular portuguesa, da qual, peço aos leitores que participem num jogo e os leiam como se os estivessem a declamar num sarau de poesia, numa cave de tasco, com pouca iluminação e um odor nauseabundo a bolas de naftalina.

 

“Que mal te fiz eu?

P'ra me tratares assim como um farrapo

Um vagabundo um pobre coitado

Não te chegava teres matado o nosso amor?"

 


João José Silva

28.09.25

É verdade que esta notícia não é recente, mas como diz o povo: “a memória é o que nos dá vida”. Acrescento que também serve com meio de estudo e aprendizagem. Quem é que se lembra do título insólito: “Homem bêbedo dado como desaparecido participa nas buscas por si mesmo”?

Certamente, como eu, já alguma vez estiveram, ou viram alguém “alegre pela força do álcool”. Umas vezes com mais, outras com menos intensidade, mas nunca havia conhecido um caso destes.

Questiono-me quem estaria mais distante da realidade. O sujeito procurado, ou quem o procurava? É verdade que o próprio estava num estado deplorável, que nem sabia que as buscas eram em torno da sua pessoa. Agora, quem o procurava, que informações tinha sobre o desaparecido? Também continha o mesmo nível alcoólico no sangue do que aquele que procurava?

Numa teoria abstrata, acredito que o álcool lhe havia dado a capacidade de ativar o modo de invisibilidade. A meu ver, é a resposta mais lógica em todo este contexto.

Não obstante, há que se questionar de quem teve a brilhante ideia de pedir a um bêbedo que procurasse um outro? Muitas vezes sóbrios não encontramos o que queremos, quanto mais com o estado mental alterado.

Ironia do destino ou não, a verdade, é que foi o próprio bêbedo que encontrou o paradeiro de si mesmo. Numa leitura e num contexto mais eruditos, seria considerada uma “autodescoberta do indivíduo”. Não estranhem se este estudo de caso aparecer daqui a uns tempos nos exames de Filosofia.

 

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João José Silva

27.09.25

Num dia como qualquer outro, estava eu a fazer “scrolling” no Instagram – para quem não compreendeu o estrangeirismo, é o ato esfregar o dedo no ecrã do telemóvel, para cima e para baixo, a coscuvilhar a vida alheia –, quando nisto, deparo-me com uma publicação de uma notícia… peculiar.

Não sei a vós, mas utilizo as redes sociais, não só para seguir pessoas do meu leque social, como também para acompanhar as notícias do dia a dia – se for para perder tempo a esfregar o dedo no ecrã, que seja, pelo menos, para aprender alguma coisa.

A página que fez a publicação da notícia foi a revista NIT, com o título e passo a citar: “Discoteca Kremlin encerrou. Moradores não conseguiam fazer sexo devido ao barulho.”

Sejamos honestos, é uma notícia que chama a atenção, não?

Puxado pela força da curiosidade do desenrolar da história, foi investigar mais afundo esta problemática e li o artigo completo. Ao que parece, o problema não é o som, mas sim as vibrações sonoras que se espalham pela estrutura do edifício. Outro ponto é que esta discoteca não é a única a sofrer deste problema e a consequência é o stress provocado pelas noites mal descansadas que afetam a vida sexual dos moradores.

Em suma, quais são as conclusões que tiro de toda esta informação?

  1. A equipa do NIT sabe fazer títulos pomposos que captam a atenção dos internautas. Foi tão eficaz que me dei ao trabalho de escrever um texto a pesar sobre o assunto;
  2. Discotecas e prédios residenciais a partilhar o mesmo perímetro, não são uma boa combinação;
  3. Questiono-me como, por exemplo, os japoneses conseguem ter uma alta densidade populacional, vivendo numa área com um elevado número de terramotos. Não deveria ser um elemento facilitador da atividade sexual, com os tremores ajudado nas movimentações?


João José Silva

08.04.25

Não sei se têm reparado, ou é só obsessão minha, mas o número de pessoas que mexem no telemóvel durante as refeições tem aumentado bastante. Este sintoma concentra-se nas camadas mais jovens, mas já são visíveis alguns “cotas” com esse vício.

Por iniciativa própria, optei por não seguir tal moda. Para tal, tento não trazer o telemóvel comigo quando estou a comer. Tenho a crença de que a hora da alimentação é um momento de respeito, além disso, convenhamos, a pouca praticidade de manuseio dos talheres enquanto temos uma mão ocupada, também é um fator decisivo.

Hamlet, tinha como questão fundamental: ser ou não ser? A sociedade de 2025 tem como dúvida existencial: garfada de arroz, ou responder às 15 mensagens pendentes?

Deixando-me de hipocrisias, confesso que gosto de almoçar, ou jantar com a televisão ligada – quando estamos sozinhos, há que reconhecer que é uma boa companhia. De qualquer forma, apesar do vício do ecrã estar presente, considero-o menos prejudicial. Como? Passo a explicar: no telemóvel, o conteúdo emitido é quase exclusivamente dirigido para o utilizador, ou seja, é uma comunicação muito individualista. No caso da televisão, a mensagem é emitida de forma mais ampla, possibilitando que, estando acompanhados por alguém, a mensagem é possível de ser recebida por mais recetores, o que pode levar à discussão entre indivíduos de um tema captado.

Num mundo em que o desapego com a tecnologia é cada vez menor, questiono o porquê de necessitarmos constantemente de um maior contacto com tal “chucha” e, se em tempos, existiu o mesmo mal, só que em vez de telemóveis, ter sido com livros.

- “Ó Pedro Augusto, acaba de comer primeiro e depois lês o teu romance! Tens tempo, a história não foge!”

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