João José Silva
07.01.25
Os supermercados, além de espaços para adquirirmos produtos e abastecermos as nossas casas, é um local propício ao acontecimento de momentos insólitos. Pelo menos, uma vez na vida, TODOS já tivemos momentos estranhos, ou constrangedores no supermercado - ser confundido com alguém, depararmo-nos com uma pessoa que não queríamos ver, cenas de discussão, entre muitas outras. O que se passou comigo, não foi dos momentos mais estranhos que já passei, mas fez-me repensar sobre certas condutas e crenças que seguia.
Estava a fazer as compras da semana e tenho o hábito de aproveitar as promoções dos produtos que estão a chegar perto do prazo de validade - normalmente, são os produtos “diferentes” que costumo acrescentar ao meu cabaz, porque se não estivessem em desconto, ao preço que estão, certamente não os iria comprar. Um dos produtos que escolhi foi daqueles cogumelos frescos fatiados, que veem em cuvetes. Notava-se que o produto não era do dia, mas na realidade, pouco me importava que fosse ou não do dia, queria-os, porque estavam em promoção - o lado forreta a vir ao de cima.
Entretanto, fiz o resto das compras e fui para a caixa. Raramente vou para as caixas automáticas, apesar de reconhecer o potencial prático das mesmas, gosto de sentir uma certa “conexão humana” do outro lado da caixa, se é que me faço entender - este ponto é bastante importante para a reflexão da história.
Coloco as minhas compras na esteira e, por coincidência, os cogumelos são o primeiro produto que a senhora que me atendia segurou. Ela olha para os cogumelos e diz: “Você não vai levar isto.”. Confuso, questionei: “Desculpe, como assim?”, no que ela me responde: “Não estão bons, não estão dignos para venda. Tente ver outros, que estes não estão bons”. Obedeci ao que a senhora me disse, mas mais nenhuma cuvete estava com aquela promoção, então acabei por não levar cogumelos nenhuns.
A história parece fraquinha e sem muito aprendizado, mas fez-me pensar nos seguintes pontos:
- se não fosse a senhora a dizer para não levar os cogumelos, ao comer podia me ter dado alguma coisa má - posso até estar a exagerar, mas nunca se sabe. Se fosse uma máquina, não me diria nada;
- a honestidade da senhora que ao ver que o produto que estava na melhor condição, aconselhou-me/“obrigou-me” a não comprar. Se fosse uma máquina, deixaria que gastasse o dinheiro naqueles cogumelos;
- a mentalidade do “poupar até ao último tostão”, comprando, às vezes, produtos em não tão boa qualidade para salvaguardar mais alguns trocos. “Sacrificar o bem-estar, em prol das economias”;
O 3º ponto foi o que mais me impactou e fez questionar sobre o seguinte: Sei que vivemos em tempos em que o “POUPAR” é uma regra de ordem, contudo, até que ponto esta doutrina deve ser posta em prática nas nossas vidas?