João José Silva
11.10.25
Se deixarmos as fontes de distração de lado e prestarmos atenção àquilo que nos rodeia, podemos captar momentos insólitos únicos, ou até mesmo, compreender o modo como a mente humana trabalha em relação ao “outro”. Tipos de conversa, gestos, técnicas de persuasão e manipulação – dos mais variados graus.
Pessoalmente, considero algo intrigante e, ao mesmo tempo, fascinante.
Partilho a história que recentemente captei enquanto estava na praia. Ao mesmo tempo que observava o horizonte marinho – sem nenhuma justificação aparente –, tomei consciência de que, ao meu lado, algo peculiar acontecia. A maré estava a subir e, como eu, uma família estava perto da linha de limite da subida da água. Como técnica para prevenir que as ondas acabassem por molhar as suas toalhas e restantes objetos, convenceram as crianças a construir muros de areia que barrassem o avançar da água.
Não é que a técnica funcionou mesmo?
As crianças, contentes e motivadas, uniram-se a trabalharam para construir o muro, enquanto os pais, na maior das tranquilidades, ficavam estendidos nas toalhas a apanhar sol, com os seus pertences completamente secos.
Isto é o que se pode dizer que é “unir o útil ao agradável”. Enquanto as crianças brincam, protegem os pertences e os próprios adultos de se molharem. Já estes, sem preocupações, continuam nos seus balhos de sol.
Um exemplo da aplicação produtiva e não abusiva do trabalho infantil.
Pergunto-me: será que, quando miúdo, também fui persuadido em tal esquema?