João José Silva
28.09.25
É verdade que esta notícia não é recente, mas como diz o povo: “a memória é o que nos dá vida”. Acrescento que também serve com meio de estudo e aprendizagem. Quem é que se lembra do título insólito: “Homem bêbedo dado como desaparecido participa nas buscas por si mesmo”?
Certamente, como eu, já alguma vez estiveram, ou viram alguém “alegre pela força do álcool”. Umas vezes com mais, outras com menos intensidade, mas nunca havia conhecido um caso destes.
Questiono-me quem estaria mais distante da realidade. O sujeito procurado, ou quem o procurava? É verdade que o próprio estava num estado deplorável, que nem sabia que as buscas eram em torno da sua pessoa. Agora, quem o procurava, que informações tinha sobre o desaparecido? Também continha o mesmo nível alcoólico no sangue do que aquele que procurava?
Numa teoria abstrata, acredito que o álcool lhe havia dado a capacidade de ativar o modo de invisibilidade. A meu ver, é a resposta mais lógica em todo este contexto.
Não obstante, há que se questionar de quem teve a brilhante ideia de pedir a um bêbedo que procurasse um outro? Muitas vezes sóbrios não encontramos o que queremos, quanto mais com o estado mental alterado.
Ironia do destino ou não, a verdade, é que foi o próprio bêbedo que encontrou o paradeiro de si mesmo. Numa leitura e num contexto mais eruditos, seria considerada uma “autodescoberta do indivíduo”. Não estranhem se este estudo de caso aparecer daqui a uns tempos nos exames de Filosofia.
