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#NãoSouSóEuQuePensoNisto

A partilha de ideias e reflexões de um jovem a quem o MUNDO lhe intriga.


João José Silva

29.07.25

Um par de pequenos altifalantes que encaixamos nos ouvidos para escutar música, atender telefonemas, ou outro tipo de função que envolva a audição, sem incomodar os restantes indivíduos que nos rodeiam – uma descrição bastante sintética sobre a função dos auriculares, correto?

Ao que parece, ainda existem pessoas, em pleno 2025, que não compreendem o conceito de “não incomodar os restantes indivíduos” – esta crítica aplicasse mais às camadas mais jovens.

Partilho-vos a história do momento que me fez refletir sobre este tema. Era dia de viagem – ou melhor, “noite de viagem” – e tive de passá-la acordado, passando de transporte em transporte, até ao destino final.

Num pequeno à parte, viagens noturnas são um inferno! O risco de adormecer a meio e perder o itinerário planeado é algo aflitivo – por alguma razão, essas são as viagens mais baratas….

Voltando à história, como referi, havia passado a noite acordado em viagem, numa sucessão de pequenos cochilos que não me ajudaram a descansar a cabeça. Estava a deixar o maior de todos para a viagem de avião: mais longa e com a certeza de que me irão acordar no destino final. Chegada a hora da viagem, sento-me e o avião descola – até aqui, tudo bem. Quando me preparo para tirar o tão desejado cochilo, o “desgraçado”, que não tem outro nome que se lhe dê, do passageiro que estava ao meu lado, põe os fones a tocar numa altura suficiente para o próprio, mais três passageiros ao lado ouvirem o seu gosto musical. Ainda por cima, estava a escutar música eletrónica… ÀS 7 HORAS DA MANHÃ!!!

Pela forma como me expresso, já devem ter percebido que não consegui adormecer na viagem. Sempre que tentava fechar os olhos, a batida de pratos estridentes penetrava-me nos ouvidos como agulhas. Foi péssimo, horrível, catastrófico!

Em suma, com este acontecimento, reflito, primeiramente, na noção que TODOS temos de ter ao utilizar os auriculares. Não é preciso rebentarmos com os tímpanos de uma só vez, além de que, muito provavelmente, a pessoa que está ao nosso lado, não tem o mínimo interesse na música que queremos ouvir. Segundamente, viagens noturnas correspondem perfeitamente à expressão: “o barato sai caro”.


João José Silva

27.07.25

Ao utilizarmos a estrada, por vezes, encontramos “seres transcendentes” a cometer cada infração que a reação só pode ser: jogar as mãos à cabeça, ou mandar dar uma voltas nas falésias onde o sol não brilha.

Estávamos habituados a assistir a tais atos de condutores de automóveis e camiões, contudo, com a crescente tendência das trotinetes elétricas, o pódio das “preguiças cambadas na estrada” vem sofrendo alterações. Para além da massificação da circulação nas cidades, a despreparação de muitos utilizadores aumenta o risco de acidentes.

Partilho um pequeno momento que assisti e me marcou pela surrealidade. Estava eu a caminhar na Avenida Sá da Bandeira, em Coimbra – para quem não conhece, é uma estrada com uma certa inclinação. Olho em frente e vejo uma ciclista a descer em velocidade controlada, quando nisto, uma trotinete elétrica, com a força do demónio nas rodas, surge de súbito e faz uma ultrapassagem a alta velocidade. Um ato perigoso e desmedido. Nisto, só vejo a ciclista com uma expressão enfurecida e a dizer: “Vai pró cara…, trotinete de mer…”. É de realçar que esta ação, assisti-a em constante movimento, tanto meu, como dos dois envolvidos, o que, na minha opinião, deu um outro “charme” à situação.

“Mas afinal, qual é a especialidade do sucedido? É apenas mais uma estupidez de estrada.”

Não creio que seja só mais uma “estupidez de estrada”. O que achei mais surreal, foi mesmo a especificidade dos envolvidos. Para muitos condutores, os ciclistas são uma praga bastante conhecida. Sendo uma ciclista a sofrer do descontrolo de um utilizador de trotinete elétrica, o caso ganha outra dimensão, como se uma cobra se mordesse e sofresse do seu próprio veneno. Um outro exemplo, é comparar uma mosca a reclamar que um mosquito lhe está a importunar. Dos dois, venha o Diabo e escolha o pior!

A +


João José Silva

26.07.25

A sensação de constrangimento é passageira, contudo, bastante fervorosa. De várias formas, podemos nos sentir constrangidos: quando cumprimentamos um desconhecido na rua por engano, quando trocamos, ou esquecemos por completo o nome de alguém, quando se revela em público uma mentira que provocámos, ou até a divisão de um pequeno espaço com um indivíduo desconhecido – neste último ponto, refiro-me em particular aos elevadores.

Ao utilizarmos o elevador, pode acontecer dividirmos um perímetro bastante restrito com um, ou mais indivíduos desconhecidos. Como diz o Boss AC, “o estranho é um amigo que não conhecemos”, no entanto, não creio que o clima de elevador seja o mais propício para tal. Na maioria dos casos, o tempo de partilha é bastante curto, somente alguns segundos, contudo, esses mesmos segundos costumam ser… frios e tensos. Uma barreira invisível cria-se entre os indivíduos. Contacto visual, nem pensar – no máximo, uma monitorização com a visão periférica. O corpo petrifica, como que adotássemos a mítica técnica de “se não me mexer, ninguém me vê”. As cordas vocais não sentem a mínima vibração. Por mais “estranho” que seja, o incómodo passa com certa rapidez, a menos que haja uma avaria técnica e o elevador pare a meio da deslocação – é raro, mas pode acontecer! Aí, é o Destino a apresentar a seguinte proposta: “falam entre si a bem, ou a mal”.

Numa histórica verídica, senti o cúmulo do constrangimento, não num elevador, mas sim numa casa de banho pública. Como assim? Passo já a explicar. Estava eu num evento, aflito para ir à casa de banho – como se diz na minha terra: “com vontade de afogar umas formigas” –, então dirigi-me a um lavabo público. Ao chegar, reparei que era a única pessoa a utilizar o espaço. Confesso que me aliviei na maior das descontrações. Nisto, numa captação periférica, reparo que na abertura inferior de um dos cubículos das sanitas existia algo, uns sapatos. Um silêncio ensurdecedor ergue-se, acompanhado por um arrepio na espinha. Admito que daquela não me esperava. Reavivando a história, sei que a pessoa que ali estava, não havia emitido o mínimo barulho. Possivelmente estava a treinar para ser o próximo 007, ou então, estava em processo de meditação profunda a fazer as necessidades. A verdadeira resposta continuará uma incógnita.

Agora, pergunto a vós. Qual foi o momento em que sentiram maior constrangimento?

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