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#NãoSouSóEuQuePensoNisto

A partilha de ideias e reflexões de um jovem a quem o MUNDO lhe intriga.


João José Silva

15.05.25

A constante incógnita entre o REAL e a FICÇÃO. O completo CAOS, não concordam?

O dia 1 de abril é assim. Dia em que as mentiras e as verdades misturam-se de tal forma que é difícil distinguir qual é qual. Pessoalmente, nessa data, não acredito em nada do que me dizem. Prefiro esperar que tais informações se confirmem no dia seguinte.

Vamos lá ser honestos. Quantas vezes já acreditámos em algo que no dia 2 de abril viríamos a descobrir ser mentira? Já nem conseguimos contar pelos dedos das mãos, nem dos pés, não é verdade?

Felizmente, o período de incerteza somente dura 24 horas. Após esse tempo é possível validar as informações. Até lá, a sensação de permanente desconfiança de tudo e todos é estranha e desconfortável.

Por momentos, imagino se o “Dia das Mentiras” nunca acabasse. Por outras palavras, como seria se todos os dias vivêssemos como a ansiedade de não saber se a informação que recebemos corresponde à verdade, ou não.

Seria algo agoniante!

Acredito que TODOS desejaríamos que tal nunca acontecesse, porque, se não, mesmo conseguindo observar o visível, seria como se estivéssemos constantemente cegos, com palas a nos tapar os olhos para a realidade do mundo.

A principal pergunta é: será possível tal acontecer?

A resposta é que já estivemos mais longe de tal distopia. Primeiro, com a evolução das tecnologias, principalmente as ferramentas de inteligência artificial, que conseguem criar ou recriar, cada vez com melhor qualidade, situações do nosso dia a dia, que nos pode levar facilmente ao engano. Segundo, esta nova discussão da reivindicação da “liberdade de expressão” através do cancelamento da revisão e confirmação de dados concretos, pode nos encaminhar por muito maus caminhos.

É curioso que quase sempre o tema da evolução tecnológica acaba por ser discutido. Este é mais um exemplo da mega dependência que estamos destas ferramentas e o quão fácil somos persuadidos por quem as domina.


João José Silva

08.05.25

Alguém ainda se lembra do apagão geral? Não, não estou a falar daquele que aconteceu no vosso quarteirão, depois da passagem de uma das várias depressões que atravessaram o país. Refiro-me ao de 28 de abril, em que Portugal Continental, de ponta a ponta, ficou sem energia elétrica por algumas horas. Então, já se lembram?

Apesar de já ter passado algum tempo desde o acontecido, creio que essa memória, para quem a viveu, continua bastante viva.

É incrível como que de um momento para outro, tudo aquilo que nos rodeia mudou drasticamente. Passámos de um sistema rotineiro, para o caos, em segundos.

Os meios de transporte dependentes de corrente elétrica pararam, indústrias e postos comerciais paralisaram, a sinalética deixou de funcionar e as pessoas deixaram de estar ligadas à “grande rede de comunicação”.

Pessoalmente, presenciei imagens que jamais imaginaria vê-las. As estações rodoviárias da Campanhã e Coimbra cheíssimas de gente, sobre uma densa escuridão, a incapacidade de grandes empresas e pequenos postos de comércio de responderem à demanda de clientela sem o auxílio dos sistemas eletrónicos, os autocarros públicos a funcionarem com fluidez e uma grande massa de pessoas a camuflarem o stress acumulado com atividades de lazer em espaços públicos (caminhadas, prática de desporto, piqueniques, etc.).

Quando o apagão se deu, estava eu no aeroporto do Porto. Tinha acabado de aterrar e comprado o bilhete de transporte para Coimbra – mal sabia eu a sorte que tinha tido. Após o sucedido, um “caos silencioso” se instaurou. Digo “silencioso”, porque começaram os cochichos, mas não era observável aparato ou desespero pelas pessoas. As coisas fluíam com normalmente. Já prestes a apanhar o autocarro para seguir viagem, conheci um rapaz (das ilhas, como eu) que também precisava de ir para outra cidade, mas não conseguia comprar o bilhete na plataforma online devido ao corte das ligações. Fiquei impressionado ao descobrir que também não era possível fazê-lo a bordo do autocarro. Como faria ele para chegar ao seu destino? Ficou aquelas horas à espera para comprar o seu bilhete? Se o período de apagão fosse mais longo, como se iria safar?

Para aqueles que reiteram o acelerar da transformação do comércio físico para o digital, é importante pegar neste exemplo como uma grave problemática, caso a situação se volte a repetir. Por estas e por outras, é sempre bom ter algum dinheiro físico connosco. Como diz o outro, “nunca se sabe o dia de amanhã”.

Foi uma pequena amostra de que os nossos cérebros já não estão preparados para lidarem com o corte a longo prazo da energia elétrica. A dependências das tecnologias que usamos diariamente, tanto a nível pessoal, como profissional, estão fortemente dependentes de uma ficha e uma tomada.

Outro ponto que foi possível observar (e nesta incluo-me), foram os deficientes kits de sobrevivências. Apercebi-me da falha de elementos importantes, com destaque para o mais essencial de todos, a água potável. Como a temos de forma acessível, raramente nos lembramos que, num instante, esse fornecimento pode acabar.

Como se costuma dizer, “só nos lembramos da importância de algo quando a perdemos”. Uma frase que nestas poucas horas – felizmente que assim o foram – uma grande massa populacional sentiu-a na pele. Em pouco tempo, na generalidade, entrámos num estado de desespero, assimilando-se aos tempos não muito distantes do confinamento pela COVID-19.

Após esta experiência, questiono: se em vez de algumas horas, passasse a dias ou semanas, como lidaríamos com tal situação?

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