João José Silva
08.04.25
Não sei se têm reparado, ou é só obsessão minha, mas o número de pessoas que mexem no telemóvel durante as refeições tem aumentado bastante. Este sintoma concentra-se nas camadas mais jovens, mas já são visíveis alguns “cotas” com esse vício.
Por iniciativa própria, optei por não seguir tal moda. Para tal, tento não trazer o telemóvel comigo quando estou a comer. Tenho a crença de que a hora da alimentação é um momento de respeito, além disso, convenhamos, a pouca praticidade de manuseio dos talheres enquanto temos uma mão ocupada, também é um fator decisivo.
Hamlet, tinha como questão fundamental: ser ou não ser? A sociedade de 2025 tem como dúvida existencial: garfada de arroz, ou responder às 15 mensagens pendentes?
Deixando-me de hipocrisias, confesso que gosto de almoçar, ou jantar com a televisão ligada – quando estamos sozinhos, há que reconhecer que é uma boa companhia. De qualquer forma, apesar do vício do ecrã estar presente, considero-o menos prejudicial. Como? Passo a explicar: no telemóvel, o conteúdo emitido é quase exclusivamente dirigido para o utilizador, ou seja, é uma comunicação muito individualista. No caso da televisão, a mensagem é emitida de forma mais ampla, possibilitando que, estando acompanhados por alguém, a mensagem é possível de ser recebida por mais recetores, o que pode levar à discussão entre indivíduos de um tema captado.
Num mundo em que o desapego com a tecnologia é cada vez menor, questiono o porquê de necessitarmos constantemente de um maior contacto com tal “chucha” e, se em tempos, existiu o mesmo mal, só que em vez de telemóveis, ter sido com livros.
- “Ó Pedro Augusto, acaba de comer primeiro e depois lês o teu romance! Tens tempo, a história não foge!”