João José Silva
15.03.25
Lembram-se de em 2008, no filme de animação da Disney, “WALL-E”, ser apresentada a problemática do sedentarismo extremo e a completa dependência humana em relação às tecnologias? Pois, estamos no ano de 2025 e essa realidade está a ganhar cada vez mais robustez.
Os avanços tecnológicos, em certas vertentes, têm-se mostrado impressionantes, eficazes e rápidos. Comparar os modos de vida atuais aos dos anos 2000 a 2010, é, claramente, percetível um salto e tanto. A utilização das máquinas e da inteligência artificial em prol de melhores condições de vida para os utilizadores – e monetária para os fabricantes.
Com exemplos bastante práticos, como as aplicações de solicitação de transporte ou comida, popularizaram-se em pouco tempo. A praticidade de receber o jantar em casa, ou solicitar um veículo que nos leva onde quisermos, a preços competitivos, transformou estas aplicações em bens essenciais na vida das pessoas. As gerações mais novas – entre os 20 e os 30 anos – são as maiores utilizadoras e, consequentemente, das principais afetadas com o desequilíbrio de utilização das mesmas.
O que tenho assistido é uma maior “preguiça” e falta de espírito de iniciativa e descoberta por parte de malta com a minha idade. Exemplifico-os com a seguinte história: onde moro, tenho acesso a centros de comércio entre 10 e 15 minutos a pé. Percurso simples, que não exigem capacidades físicas exorbitantes. Quando não está tempo chuvoso, costumo fazer esse percurso a pé (faço exercício e poupo na utilização de transportes). Quando pergunto a alguém se me quer acompanhar e indico a distância a realizar, a primeira pergunta que recebo é: “apanhamos um Bolt?”. Confesso que fixo perplexo com tal resposta, afinal, o percurso não é longo e está bom tempo. Qual é a justificação plausível? Depois de alguma insistência, acabam por me acompanhar, mas, a metade do caminho, já começam a ofegar e precisam de parar devido ao cansaço – acreditem que não estou a exagerar nesta exemplificação. Hoje vemos pessoas mais velhas com capacidade de resistência física superior à de uma nova – pela lógica, deveria ser ao contrário.
Por momentos questiono-me se, nas idades entre os 20 e 30 anos estão com estas dificuldades de resistência, como estarão ao chegarem em idades entre os 50 e 60 anos? – não se mexem sem para de 2 em 2 minutos?
Assistimos a um grave problema de saúde pública que se está a instalar silenciosamente e não será por agora que veremos os seus efeitos. Calmamente, os sentidos de iniciativa e de resolução de problemas entram num estado de hibernação. Acredito que se tal problemática não for pensada, discuta e combatida, avizinham-se tempos muito complicados – ainda mais do que aqueles que estamos a viver.