Descobri o método para acabar com os momentos de tensão e de exaltação no trânsito. Uma solução mais simples do que se possa imaginar. Para tal, passamos a estar com o acesso quase imediato ao telemóvel. Num prático esticar de braço, "ZÁS!", temo-lo na palma das nossas mãos, pronto para uso. Simples e eficaz!
Muitos leitores dirão que estou louco, ou que tal proposta não teria efeito algum, pelo facto de que tal ideia seja altamente prejudicial, tanto para quem conduz, como para os peões que se deslocam na via pública. No entanto, aproveito para contra-argumentar tal acusação com o seguinte acontecimento que vivenciei:
Estava eu a passear numa via pública, quando nisto, perto de um semáforo, estavam três carros parados em fila. Num primeiro momento, o sinal estava vermelho. Com a mudança da cor para verde, qual não foi o meu espanto que nenhum dos automóveis avançou. Mais, nenhum deles buzinou! Claramente, por instantes, pensei que estivesse a viver um mundo paralelo, em que o estado de civismo se tivesse entranhado nos populares ao volante, no entanto, a minha esperança dissipou-se em segundos, quando me aproximei dos veículos e deparei-me com o 1º condutor ao telemóvel, o 2º segundo condutor, também ao telemóvel e o 3º condutor – espantem-se – igualmente a mexer no dispositivo móvel.
A verdade é que, para além desta história insólita, um avolumado número de condutores tem o vício de utilizar o telemóvel enquanto dirige. Genuinamente, fico surpreendido com a capacidade de alguns de mandarem mensagens enquanto dominam o volante. Pessoalmente, não sou dotado de tais competências de multitarefa – ou bem conduzir, ou bem mandar mensagem.
Em síntese, continuo a me questionar até quando os condutores mais imprudentes tomaram consciência de que, quando conduzem têm nas mãos, não apenas um equipamento motorizado que os ajuda a fazer deslocações, como também uma ARMA MORTAL.
Nunca estive, nem espero estar num campo de batalha, mas, pelo pouco conhecimento que adquiri sobre o tema, nunca ouvi relatos de combatentes a manusearem armas de fogo, enquanto fazem “scroll” nas redes socias, ou então, estão a mandar mensagem aos seus cônjuges a avisar que vão encomendar frango para o jantar.
À parte de brincadeiras, faço o meu pedido de mais tino aos condutores deste nosso país e não só. Se algo acontecer – infelizmente, muitas vezes acontece – não só vocês poderão ser afetados pelo descuido. Como diz o povo e com razão: “quem não tem culpa, leva por tabela”.